Debate em BH: Simões e Gabriel atacam Patrus e Kalil; ausências dominam
Debate da Record em BH tem só dois candidatos, críticas a Patrus e Kalil e troca de acusações sobre educação, dívidas e segurança.

O debate entre candidatos ao governo de Minas promovido pela TV Record nesta segunda-feira (21) teve apenas dois participantes: o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) e Gabriel Azevedo (MDB). Os demais convidados não compareceram, e as ausências dominaram boa parte do encontro.
Flávio Roscoe (PL) não foi ao debate por estar internado com problemas respiratórios e diagnóstico de Covid-19. Cleitinho Azevedo (Republicanos) tem afirmado que só participará do último debate antes do primeiro turno, organizado pela Globo. Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) alegaram que candidatos com chances de chegar ao segundo turno não confirmaram presença e, por isso, também não iriam.
Educação vira alvo de Simões e Gabriel
Na primeira pergunta, Gabriel questionou Simões sobre a Escola Plural, programa iniciado na gestão de Patrus Ananias na Prefeitura de Belo Horizonte (1993-1996) e implantado na rede municipal a partir de 1995. O candidato do MDB afirmou que o modelo aprovava alunos sem aprendizado. Simões respondeu que a proposta de Patrus representaria voltar a aprovar os estudantes independentemente de avaliação.
A referência é a um projeto que reorganizou o ensino em ciclos de formação e modificou concepções de currículo, tempo escolar e avaliação, com o objetivo de combater a repetência e a exclusão escolar. Estudos sobre o programa descrevem uma reformulação mais ampla do processo pedagógico, e não simplesmente a ausência de avaliação.
Simões também defendeu os resultados da atual gestão na educação estadual. De acordo com o governador, Minas passou de um índice de alfabetização no segundo ano inferior a 50% no início da gestão para 74%, com meta de chegar a 100%. Ele prometeu ampliar as atuais 112 mil vagas de ensino profissionalizante para mais de 240 mil já no próximo ano, citando o programa Trilhas de Futuro.
Dívidas de Kalil e do Estado entram no debate
Ao tratar da dívida do Estado com a União, estimada em mais de R$ 180 bilhões, Gabriel e Simões criticaram Kalil por dívidas pessoais com o município. Dados da Secretaria Municipal de Fazenda de Belo Horizonte mostram que o ex-prefeito tem R$ 12,6 mil em dívida ativa não ajuizada e mais R$ 209,5 mil em dívida ajuizada, referentes à Taxa de Manutenção dos Cemitérios Municipais e ao IPTU.
Gabriel afirmou que a dívida com a União deve ser tratada com seriedade e disse haver uma negociação que permite pagar sem juros. Segundo ele, a previsão do governo para o ano que vem é gastar R$ 7 bilhões a mais do que a arrecadação.
Segurança e resposta de Kalil sobre chuvas
No tema segurança, Gabriel lembrou que o Palácio Tiradentes não assinou o protocolo contra o feminicídio do governo federal. Simões respondeu que um aplicativo está em fase de produção para alertar mulheres e a polícia quando um agressor se aproximar. O governador também citou a PEC 40, que prevê reajuste anual para a segurança, e disse que ela será aprovada logo após a eleição, quando a Assembleia voltar a trabalhar.
Questionado pela reportagem por meio da assessoria sobre críticas à atuação dele como prefeito de BH diante dos temporais de 2020, Kalil afirmou que sua gestão executou e planejou obras de contenção de enchentes, macrodrenagem e redução de impactos das chuvas entre 2017 e 2022. Segundo a equipe, os investimentos somaram cerca de R$ 1 bilhão em recursos próprios e financiamentos, com intervenções em Venda Nova, bacia do Ribeirão Isidoro, avenida Vilarinho, córregos da Lareira e dos Camarões, bacia do Ribeirão Arrudas e projetos de drenagem para as avenidas Prudente de Moraes, Silva Lobo e Francisco Sá. A assessoria também citou obras de contenção de encostas em vilas e favelas e monitoramento geológico com remoção preventiva de famílias. O candidato ainda criticou a Câmara Municipal à época, afirmando que muitas obras não foram feitas porque o Legislativo negou empréstimo à prefeitura.
