BH, 30 de setembro de 2026
Quarta-feira, 14:54

O novo jeito de pagar impostos no Brasil

E O IMPACTO NO VAREJO

A reforma tributária de 2026 unifica impostos no IBS e CBS, com recolhimento automático na venda, prometendo menos burocracia e mais transparência para empresas

Coluna assinada por Daniel Prando Brito, Advogado, especialista em Direito Tributário. O texto reflete a opinião do autor e não representa necessariamente a posição do Na Savassi.
O novo jeito de pagar impostos no Brasil
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

A Reforma Tributária brasileira, que começa a valer em 2026, promete mudar de vez a forma como empresas e consumidores lidam com os impostos. 

A principal novidade é a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituem tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins. 

Na prática, tudo será centralizado em um sistema único, recolhido no destino do consumo, e não mais no estado ou município de origem.

Para o comércio varejista, a mudança é significativa. 

Hoje, a complexidade do sistema exige cálculos diferenciados de imposto dependendo do produto e da localização da venda. 

Com a unificação, haverá um modelo padronizado de alíquota, definido nacionalmente, reduzindo a burocracia e a incerteza tributária. 

Isso deve simplificar tanto o planejamento financeiro das empresas quanto a vida do consumidor, que verá os tributos mais transparentes no preço final.

Outro ponto importante é a forma de pagamento dos impostos. O novo sistema prevê que os tributos sejam recolhidos de maneira automática, quando a venda é realizada, por meio de um modelo semelhante a um “sistema de débito em tempo real”. 

Assim, o imposto não ficará mais acumulado para pagamento futuro, o que tende a reduzir inadimplência e sonegação.

 Para o varejista, isso significa maior controle do fluxo de caixa, já que o valor do imposto será destacado e recolhido de forma imediata.

Na precificação, o impacto será direto: como a cobrança será uniforme e transparente, será mais fácil calcular margens e ajustar preços. 

Produtos que hoje sofrem com a guerra fiscal entre estados, por exemplo, tendem a ter preços mais estáveis. 

Por outro lado, a alíquota única pode gerar aumento no valor de alguns itens, já que benefícios e isenções locais deixarão de existir.

No fim das contas, a Reforma Tributária traz uma promessa: menos burocracia e mais clareza na relação entre empresas, consumidores e governo. 

Para o comércio varejista, o desafio será se adaptar rapidamente ao novo sistema, aproveitando a simplificação para oferecer preços mais competitivos e uma experiência de compra mais transparente ao consumidor.

Mais do que uma alteração conceitual, estamos diante de uma mudança operacional profunda: o imposto deixa de ser apenas apurado e passa a ser retido diretamente no momento do pagamento.

O profissional fiscal precisará atuar muito mais próximo do fluxo de caixa do que apenas das notas fiscais.

Não é só uma reforma tributária.

É uma reforma de processos.

A pergunta que fica:

Você, comerciante, está por dentro das mudanças que a reforma tributária vai trazer para a sua vida?  

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