Lula volta a BH em 21 de outubro e movimento pró-Lula é lançado na capital
Presidente retorna a Belo Horizonte na reta final do segundo turno; grupo liderado por tucano histórico lança manifesto na Casa dos Jornalistas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltará a Belo Horizonte no dia 21 de outubro, quatro dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. A informação foi confirmada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). A agenda na capital integra a reta final da campanha no estado.
Antes disso, na sexta-feira (16), o presidente cumpre agendas em Ipatinga, no Vale do Aço, e em Juiz de Fora, na Zona da Mata, onde está previsto um ato ao meio-dia na Praça da Estação. As duas cidades têm comportamentos eleitorais distintos no primeiro turno.
Disputa em Minas e abstenção
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e voltou a ocupar posição central nas estratégias dos presidenciáveis. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) venceu no estado com 48,24% dos votos válidos, o equivalente a 5.777.548 votos, contra 43,33% de Lula, que recebeu 5.188.936 votos. A diferença foi de 588.612 votos.
Em Juiz de Fora, Lula obteve 49,58% dos votos válidos no primeiro turno, contra 41,53% de Flávio Bolsonaro. Já em Ipatinga, o senador do PL conquistou 61,11%, enquanto o petista alcançou 31,47%, uma diferença de quase 30 pontos percentuais. A região é marcada pela presença da indústria siderúrgica e pelo histórico de mobilização sindical.
A abstenção em Minas ultrapassou 3,7 milhões de eleitores, o equivalente a 22,81% do eleitorado, percentual superior à média nacional. A campanha petista busca mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas.
Movimento pró-Lula é lançado em BH
Na terça-feira (13/10), foi lançado em Belo Horizonte, na Casa dos Jornalistas, o manifesto "Democratas Pró-Lula", durante a apresentação do movimento "Agora é Lula". A articulação é liderada por Amílcar Martins Filho, um dos nomes históricos do PSDB em Minas Gerais, e tenta repetir na disputa presidencial a frente ampla que ajudou a garantir a reeleição de Fuad Noman (PSD) como prefeito de Belo Horizonte em 2024.
A proposta é atrair eleitores e quadros de centro e direita que não votaram em Lula no primeiro turno. Segundo os organizadores, cerca de 112 pessoas assinaram o manifesto presencialmente. O documento também ganhará uma versão digital, programada para ser lançada nesta sexta-feira (16/10) a fim de garantir mais adesão.
O ato reuniu ex-vereadores, deputados e lideranças com passagem por siglas como PSDB, MDB, PDT, Cidadania e Avante. Quadros do meio sindical e acadêmico, como o ex-reitor da UFMG Clerio Campolina, também fazem parte do movimento. Siglas que já declararam apoio nacional a Lula, como PSOL, Rede e PV, tiveram representantes presentes no evento.
A articulação ocorre uma semana após a Executiva Nacional do PSDB, presidida por Aécio Neves, anunciar a liberação dos filiados para apoiarem Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno. Aécio amargou o sétimo lugar na disputa pelas duas vagas ao Senado por Minas Gerais, somando 836 mil votos no pleito do último dia 4.
Aceno a Kalil e bastidores
Durante o evento, Amílcar Martins Filho relatou um diálogo recente com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Segundo o relato, Kalil teria afirmado que votou e que sua família votou em Marília Campos e que não votaria em Flávio Bolsonaro em nenhuma hipótese.
Procurado, porém, Kalil evitou declarar voto para o segundo turno presidencial ou confirmar engajamento no movimento. Ele afirmou que votou no candidato de sua coligação ao Senado, o deputado Aécio Neves, e que não votará para presidente porque estará viajando. A assessoria de Kalil confirmou que ele estará em viagem de férias no dia da votação do segundo turno, em 25 de outubro.
Membros do movimento afirmaram que irão procurar o pedetista novamente e que todas as pessoas que não se identificam com a extrema-direita serão procuradas, independentemente do espectro político.
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