LIRAa aponta risco médio de dengue em BH com focos em 2,4% dos imóveis

Belo Horizonte está classificada como área de risco médio para dengue, chikungunya e zika, segundo o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2026. O estudo identificou larvas do mosquito em 2,4% dos 53 mil imóveis vistoriados na capital. A classificação segue os parâmetros do Ministério da Saúde, que considera risco alto índices iguais ou superiores a 4%, risco médio entre 1% e 3,9% e baixo risco abaixo de 1%.
Maioria dos focos está dentro de casa
Os dados mostram que 83% dos focos estão em ambientes domiciliares. Os criadouros predominantes encontrados nas residências foram pratinhos de plantas (24,7%), inservíveis (23,2%), recipientes domésticos (17,7%) e barris e tambores (7,2%).
O levantamento é realizado anualmente em todas as regionais da cidade e serve para orientar a intensificação das ações de combate ao mosquito, especialmente nas áreas com maior infestação larvária. Todas as nove regionais ficaram na faixa de risco médio. A Pampulha registrou o maior índice (3,5%), seguida por Venda Nova (3,3%) e Leste (3,2%). Na outra ponta, Noroeste e Oeste tiveram 1,5% cada, e o Centro-Sul, 1,6%.
Combate depende de colaboração da população
A subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond, destacou que os resultados ajudam a direcionar as ações de prevenção, mas que o combate ao mosquito também depende da população. "Dedicar dez minutos por semana para eliminar possíveis criadouros é uma atitude simples que faz toda a diferença", afirmou.
A prefeitura mantém ações de vigilância durante todo o ano. Os Agentes de Combate a Endemias visitam imóveis, orientam sobre os riscos do acúmulo de água e aplicam biolarvicidas quando necessário. Em 2026, foram realizadas mais de 3,4 milhões de vistorias. Também são feitas ações com inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV), que alcançaram cerca de 9 mil imóveis neste ano.
Monitoramento e novas estratégias
A cidade conta com mais de 1,8 mil ovitrampas, armadilhas que simulam o ambiente ideal de reprodução e atraem as fêmeas do mosquito, que permitem monitorar a circulação do Aedes. Somente em 2026, foram cerca de 63 mil visitas de acompanhamento. O município também usa drones para identificar possíveis focos e aplica larvicida em locais de difícil acesso.
Outra estratégia em andamento é a soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão de dengue, zika e chikungunya. O método não envolve modificação genética e, desde 2020, já teve mais de 45 milhões de mosquitos soltos. A prefeitura realiza ainda mutirões de limpeza: em 2026, foram 239 ações, com cerca de 374 toneladas de resíduos recolhidos em aproximadamente 49 mil imóveis.


