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UPA Centro-Sul tem pacientes no chão e João XXIII relata falta de insumos em BH

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UPA Centro-Sul tem pacientes no chão e João XXIII relata falta de insumos em BH
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

Pacientes foram acomodados sobre mantas no chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (4), diante da falta de macas e leitos. Imagens enviadas à reportagem mostram pessoas deitadas no piso da unidade em meio à superlotação. Entre os afetados está um homem de 64 anos, que estava na UPA desde segunda-feira (2) para tratar uma queda nos níveis de potássio no organismo.

Segundo relato de familiar do paciente, a própria equipe da unidade pediu que a família levasse um cobertor para que ele pudesse se deitar no chão enquanto aguardava atendimento e uma maca. O homem conseguiu uma maca posteriormente para receber medicação, mas ainda não havia previsão de transferência para um hospital. A familiar afirmou que outros pacientes estavam na mesma situação e que alguns aguardavam havia mais de dois dias por atendimento em condições adequadas.

Alta demanda e versão da Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde informou que a UPA Centro-Sul registrou alta demanda nesta quarta-feira, com 154 pacientes atendidos ao longo do dia. Desse total, 127 foram classificados como casos verdes, considerados não urgentes. A pasta afirmou que a unidade conta com escala médica completa, com 10 profissionais no plantão, e que dispõe de cadeiras para acomodar os usuários e macas destinadas aos pacientes que precisam de observação.

De acordo com a Secretaria, alguns pacientes, acompanhantes e pessoas em situação de rua optam por ficar no chão, mesmo após orientações da equipe de enfermagem para que permaneçam nas cadeiras. A pasta explicou que as UPAs seguem o Protocolo de Manchester, que estabelece prioridades de atendimento conforme a gravidade dos casos, e que por isso pacientes classificados como verdes podem enfrentar maior tempo de espera.

João XXIII e relatos de falta de insumos

No Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, servidores relatam falta de medicamentos para tratar infecções causadas por bactérias super-resistentes, além de seringas e outros insumos básicos necessários para cirurgias. Por ser um hospital porta aberta, que recebe pacientes de várias regiões do Estado, a unidade segue com chegada constante de pessoas mesmo diante do cenário relatado. Com a superlotação dos leitos, muitos são acomodados nos corredores, enquanto médicos e enfermeiros racionam os materiais disponíveis.

Entre os itens citados como em falta estão a mangueira de aspiração, usada para sugar sangue e líquidos durante cirurgias, e o frasco coletor. Servidores também relatam dificuldade com seringas, com empréstimos entre setores para suprir a demanda. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela unidade, afirmou que o hospital está funcionando normalmente e que monitora os estoques continuamente, permitindo a adoção antecipada de medidas administrativas e logísticas para assegurar a recomposição sempre que necessário.

De janeiro a setembro deste ano, o João XXIII recebeu 10.485 pessoas em atendimentos que passam pelo pronto-socorro, bloco cirúrgico, unidade de internação para queimados e UTIs adulta e pediátrica, o que corresponde a 21% do total de atendimentos nas unidades gerenciadas pela Fhemig.

Alternativa para casos leves

A Prefeitura destacou a oferta de teleconsultas, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, para pessoas com sintomas leves, como gripe, diarreia, vômitos, suspeita de infecção urinária e dores articulares.

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