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Acordo no TJMG prevê rede elétrica subterrânea no Morro do Papagaio, em BH

Conciliação beneficia mais de 520 famílias e evita remoção de moradias na região Centro-Sul de Belo Horizonte

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Acordo no TJMG prevê rede elétrica subterrânea no Morro do Papagaio, em BH
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

Um acordo mediado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) vai permitir que as linhas de transmissão de energia que passam sobre o Morro do Papagaio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, sejam levadas para o subsolo. A conciliação foi alcançada em audiência no dia 9/10, no Edifício-Sede do TJMG, e beneficia mais de 520 famílias.

A audiência ocorreu no âmbito do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para Demandas Territoriais, Urbanas e Rurais, e de Grande Repercussão Social (Cejusc Social). A condução foi da 3ª vice-presidente do TJMG e superintendente de Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesses (Sutrac), desembargadora Shirley Fenzi Bertão, e do juiz auxiliar da 3ª Vice-Presidência, Matheus Moura Matias Miranda.

O que muda para os moradores

Segundo o plano apresentado pela equipe técnica da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a estrutura das linhas de transmissão no trecho ocupado se tornará subterrânea, em vias existentes. A mudança elimina a necessidade de remoção de edificações no local das obras.

Com a alteração técnica, a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) informou que incluirá o território da faixa de servidão no plano de regularização fundiária municipal.

A Cemig se comprometeu a solicitar a suspensão imediata e por prazo indeterminado das ações de reintegração de posse relativas ao trecho e a requerer a desistência desses processos conforme o avanço das obras, sem custos para as partes. A concessionária manterá a comunidade informada sobre as etapas do projeto por meio de plano de comunicação.

Prazos e próximos passos

O cronograma prevê a contratação do serviço até junho de 2027 e a conclusão dos trabalhos até maio de 2031.

Para auxiliar no diálogo, o advogado dos moradores informou que uma associação comunitária será criada em até 90 dias. A Cemig solicitou aos moradores que relatem edificações com riscos convergentes e evitem a expansão de construções até o término dos serviços.

Ficou registrada na ata a solicitação de fomento à assinatura de Protocolo de Intenções entre a Cemig e o Município de Belo Horizonte para todas as áreas ocupadas sob faixas de linhas de transmissão. A Cemig juntará cópia da ata da sessão aos processos judiciais correspondentes para o cumprimento dos pedidos de suspensão.

Participação e histórico

A sessão contou com a participação de moradores da localidade, de representante legal da comunidade, de dirigentes da Cemig e da Urbel, além de integrantes da Procuradoria-Geral do Município de Belo Horizonte (PGM-BH) e da Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG).

Moradora da comunidade há 41 anos e agente comunitária de Cidadania no Morro do Papagaio, Maristela Paloma destacou a conquista. "Hoje foi um dia de muita alegria para nós todos da comunidade, que lutamos desde 2009 contra a reintegração de posse pela via Judicial", afirmou.

A desembargadora Shirley Fenzi Bertão ressaltou o significado do acordo. "A rede ficará mais segura, o Município poderá avançar na regularização fundiária e, principalmente, as famílias do Morro do Papagaio permanecerão em suas casas", disse.

Para o juiz Matheus Moura Matias Miranda, a solução nasceu do diálogo. "Os moradores foram ouvidos, a Cemig apresentou uma alternativa técnica e a Urbel se dispôs à regularização fundiária ao acordo", afirmou.

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