Otto Levy aceita convite para presidir a Cemig a partir de 2027

O ex-secretário de Planejamento e Gestão de Minas Gerais Otto Levy aceitou o convite do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) para assumir a presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) a partir de 2027. A decisão foi comunicada após reunião entre os dois nesta terça-feira (27/10), quando trataram da situação do estado e dos desafios da companhia.
Atualmente diretor da CSN Mineração, Levy esteve nesta quarta-feira (28/10) com a direção da empresa, em São Paulo, para comunicar o convite. A ideia é iniciar um processo de transição de suas funções na companhia para ficar disponível para a Cemig após a posse de Cleitinho, em janeiro, e a definição da nova administração da estatal.
Como a Cemig é uma companhia de capital aberto, a indicação ainda precisa passar pelo Conselho de Administração. A conversa sobre os planos para a estatal ainda foi inicial, mas a integridade deverá nortear a gestão. "Não existe espaço para nada fora da lei e fora da ética", afirmou Levy.
Prioridades apontadas para a estatal
Entre as prioridades estão a melhoria dos serviços prestados à população e a situação financeira da companhia. Levy afirmou que a relação entre a dívida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que indica a geração de caixa) da Cemig tem aumentado, assim como as despesas com juros. Para ele, o indicador deve permanecer abaixo de três vezes.
O ex-secretário também disse ter analisado indicadores de qualidade dos serviços. Na avaliação dele, apesar da tradição de excelência da companhia, há espaço para reduzir tanto a duração das interrupções no fornecimento quanto a frequência das quedas de energia, um dos focos apresentados por Cleitinho para a empresa.
Quem é Otto Levy
Engenheiro metalúrgico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Levy comandou a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão no primeiro governo de Romeu Zema (Novo), de janeiro de 2019 a abril de 2021. Na pasta, esteve à frente das negociações com a Vale que resultaram no acordo de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho, assinado em fevereiro de 2021.
Terceira troca no comando em menos de um ano
A ida de Levy marca mais uma mudança no comando da maior estatal mineira. Em maio, o governador Mateus Simões (PSD) substituiu Reynaldo Passanezi, no cargo desde 2020, pelo engenheiro de carreira Alexandre Ramos Peixoto, empossado em 11 de maio. Pouco mais de três meses depois, Simões decidiu trocar novamente a presidência, em movimento que atendeu a um pleito da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que solicitou o comando da Cemig ao formalizar o apoio à reeleição do governador.
Além do cargo na estatal, a federação indicou Danilo de Castro (União) como vice na chapa e Renato Rezende, ligado ao PP, para a Secretaria de Estado de Governo. Inicialmente, Simões indicou Márcio Augusto Vasconcelos Nunes, ex-presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O nome, porém, foi substituído, e o Conselho de Administração elegeu, em 11 de setembro, o advogado Marco Aurélio Martins da Costa Vasconcelos, que ocupava a diretoria adjunta jurídica da Copasa desde 2022. Alexandre Ramos passou a presidir o conselho.
As trocas ocorreram em meio às suspeitas envolvendo a Cemig SIM, subsidiária da companhia voltada à geração de energia solar. Em agosto, a estatal demitiu o diretor comercial Rubens Soalheiro, suspeito de facilitar negócios com a Green Investimentos, empresa ligada a Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal investiga relações entre empresas ligadas ao grupo do Master e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A Cemig SIM informou ter encerrado em maio os contratos com a Green Investimentos. No fim de agosto, Simões anunciou uma auditoria na subsidiária e deslocou Alexandre Ramos e o então vice-presidente jurídico, Sérgio Pessoa, para conduzir a apuração.
Eleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 6.321.590 votos (55,40% dos válidos), Cleitinho já descartou privatizar a Cemig e defendeu que o lucro da companhia seja usado em benefício do estado.


