Inflação na Grande BH sobe 1,05% em setembro e supera média nacional
IPCA da Grande BH foi de 1,05% em setembro, acima da média nacional de 0,82%. Tomate, energia elétrica e etanol puxaram a alta.

A inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte atingiu 1,05% em setembro, resultado acima da média nacional, que foi de 0,82% no mesmo período. O índice da Grande BH foi o terceiro maior entre as 16 áreas analisadas, ficando atrás apenas de Vitória e Goiânia. Foi também a maior alta de preços para o mês de setembro na região desde 2021.
Apesar do resultado mensal elevado, o acumulado em 12 meses na Grande BH ficou em 4,16%, abaixo da média nacional de 4,58%. No Brasil, esse acumulado supera o teto da meta de inflação definida pelo Banco Central, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Energia elétrica e combustíveis pressionam
A energia elétrica residencial foi o item de maior impacto individual no índice de setembro na Grande BH, com alta de 6,63% e contribuição de 0,26 ponto percentual. O aumento reflete a bandeira amarela vigente no mês e o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, que havia sido creditado nas faturas de agosto.
No grupo Transportes, os maiores aumentos foram no etanol (11,51%), no ônibus intermunicipal (6,71%), na passagem aérea (5,39%), na gasolina (3,79%) e no conserto de automóvel (2,17%).
Alimentos: tomate lidera as altas
Na alimentação, o tomate registrou a maior variação entre todos os itens pesquisados, com alta de 41,90%, gerando impacto de 0,12 ponto percentual no índice. Também subiram a batata-inglesa (33,10%), a cebola (12,07%), o arroz (8,93%) e a maçã (7,53%). O brócolis teve aumento de 7,21%. Por outro lado, a queda de 9,02% no preço da banana-prata ajudou a conter uma alta maior no grupo de Alimentação e Bebidas.
Segundo especialistas ouvidos na apuração, o clima teve peso no resultado: a seca e as queimadas reduziram a oferta e pressionaram os preços de alimentos in natura, como tomate, batata-inglesa e cebola.
Impacto nos juros
Com a inflação acima do teto da meta, a expectativa é de cautela por parte do Comitê de Política Nacional (Copom) na definição da taxa básica de juros. Analistas avaliam que o resultado reduz o espaço para novos cortes na Selic e que é razoável esperar uma pausa no ciclo de redução dos juros na reunião prevista para 3 e 4 de novembro. O quadro também contribui para manter o aperto nas condições de crédito.
O resultado ficou acima das expectativas do mercado, indicando um cenário de inflação ainda resistente e menos favorável para uma flexibilização relevante da política monetária no curto prazo. A alta simultânea em todos os nove grupos pesquisados sugere que a inflação segue relativamente disseminada. O acumulado no ano atingiu 3,95%, e o dado volta a colocar a inflação acima do teto da meta, reforçando a percepção de que o processo de queda dos preços observado nos últimos meses perdeu força no terceiro trimestre.


