BH, 9 de outubro de 2026
Sexta-feira, 17:32

Greve da Caixa atrasa repasses do Minha Casa, Minha Vida e pressiona incorporadoras

Paralisação de 20 dias na Caixa atrasou repasses do MCMV no 3º trimestre e afetou o caixa de incorporadoras de baixa renda.

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Greve da Caixa atrasa repasses do Minha Casa, Minha Vida e pressiona incorporadoras
MRV&Co/Divulgação

A greve nacional dos bancários da Caixa Econômica Federal, que durou 20 dias em setembro, atrasou etapas do financiamento habitacional e afetou o fluxo de caixa de incorporadoras voltadas ao público de baixa renda no terceiro trimestre. O banco é o principal agente de crédito habitacional do país, e a paralisação atingiu diretamente o repasse de recursos às empresas.

O problema ocorre porque o repasse à incorporadora só acontece depois de uma sequência de etapas: análise de crédito, conferência de documentos, vistorias de engenharia e assinatura do contrato. Com a greve, essas fases ficaram mais lentas, e o dinheiro demorou mais para entrar no caixa das empresas. Um processo sem pendências relevantes costuma levar até 20 dias entre o encaminhamento e a assinatura do contrato, prazo que varia conforme cada caso.

Impacto no caixa das incorporadoras

Na MRV, a greve provocou efeito negativo estimado em cerca de R$ 80 milhões no fluxo de caixa da operação brasileira de baixa renda. Na Cury, os repasses de recebíveis somaram R$ 1,3 bilhão no trimestre, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O atraso pode gerar descasamento financeiro: mesmo quando há procura pelos imóveis, a formalização depende das etapas operacionais do banco. Quando o processo demora, o capital de giro das empresas fica pressionado.

Cancelamentos e crédito mais rigoroso

A greve não foi o único fator a pressionar o setor no trimestre. O maior rigor na aprovação de financiamentos pela Caixa também dificultou a conversão de vendas brutas em líquidas, ao reduzir a aprovação de crédito para parte dos compradores.

Na Cury, os distratos chegaram a R$ 358 milhões, alta de 59% em um ano. Na Tenda, os cancelamentos alcançaram R$ 312 milhões, avanço de 78% na mesma comparação. Os números refletem um ambiente operacional mais desafiador, mas não devem ser atribuídos exclusivamente à greve, já que o maior rigor na análise de crédito também afetou as operações.

O que observar nos próximos balanços

Apesar das dificuldades, as três companhias mantiveram ritmo de vendas nas operações de baixa renda. A avaliação do setor é de que os impactos da greve representaram atrasos operacionais, e não perdas definitivas de vendas ou receitas.

O peso do Minha Casa, Minha Vida amplia a exposição das incorporadoras à Caixa: o programa representou 58% dos lançamentos e 51% das vendas no segundo trimestre. Indicadores do segundo trimestre, anteriores à paralisação, apontavam 21,8 mil unidades repassadas e mediana de 165,5 dias para recebimento.

Os próximos balanços, a evolução dos repasses, dos prazos de recebimento e dos cancelamentos deverão ajudar a distinguir os efeitos pontuais da greve dos problemas mais persistentes na concessão de crédito. Entidades do setor relataram demora maior na conclusão de etapas e represamento de processos, mas ainda não há dados consolidados para medir o impacto total da paralisação.

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