Airbnb movimenta R$ 1,27 bilhão na economia de BH em 2025
Estudo aponta impacto econômico do aluguel por curta temporada na capital mineira e moradores que adotaram a atividade como renda principal.

O aluguel de imóveis por curta temporada movimentou R$ 1,27 bilhão na economia de Belo Horizonte em 2025, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). O cálculo considerou fatores como postos de trabalho diretos e indiretos e tributos gerados pela atividade na capital mineira.
O crescimento do setor acompanha a expansão do turismo na cidade, impulsionada por eventos como o Carnaval, feiras de negócios no Expominas e a rede hospitalar local. A folia deste ano registrou aumento de 29% no número de turistas, segundo os dados apresentados.
Renda principal para moradores
Para parte dos belo-horizontinos, a hospedagem deixou de ser apenas complemento financeiro e passou a sustentar a casa. Uma anfitriã de 44 anos, que atua há duas décadas com próteses dentárias, começou alugando a própria casa e hoje administra quatro hospedagens: duas quitinetes na região Leste, a casa própria no Alto dos Pinheiros, na região Noroeste, e uma casa de campo em Casa Branca, distrito de Brumadinho.
Ela relata que a rotina vai de limpeza e manutenção a mensagens e controle de entrada e saída de hóspedes. Na região Leste, diz, é comum receber pacientes de hospitais da capital ou familiares que os acompanham. A sazonalidade é apontada como principal ponto negativo do negócio.
Um casal da região da Pampulha também transformou a atividade em ocupação principal. Após gastos acima do planejado em uma viagem à Europa, passou a alugar um quarto do próprio apartamento. Hoje administra o espaço inteiro e mais dois apartamentos na mesma região, conciliando o trabalho com uma empresa de marketing esportivo. Os dois afirmam que viajam com frequência e atendem remotamente, mas dizem que a atividade exige dedicação diária, inclusive em períodos de descanso.
Efeito na cadeia de serviços
O impacto vai além da renda dos anfitriões. Um consultor responsável pelo estudo explica que, para cada R$ 10 gastos com acomodação na plataforma, outros R$ 45 circulam em transporte, alimentação, comércio e serviços. O valor pago pela hospedagem entra como renda do anfitrião, que também gasta e faz o dinheiro recircular na economia local.
Ainda assim, o impacto econômico na capital mineira é menor do que o registrado no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde a cifra chega a R$ 12 bilhões em cada cidade. O setor em BH cresceu 14,4% em um ano, e representantes do mercado imobiliário avaliam que há espaço para expansão, embora sem a ambição de alcançar os patamares das duas cidades mais procuradas por turistas no Brasil.
Bairros nesta matéria: Alto dos Pinheiros, Casa Branca


