BH, 23 de outubro de 2026
Sexta-feira, 17:03

MAP recebe instalação audiovisual sobre música caipira até 22 de novembro

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MAP recebe instalação audiovisual sobre música caipira até 22 de novembro
Michele Rodrigues/PBH

O Museu de Arte da Pampulha (MAP) recebe, até 22 de novembro, o projeto conceitual "Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim", do artista visual Benedito Ferreira, um dos bolsistas da 10ª edição do Programa de Residência Artística do MAP/Bolsa Pampulha. A obra tem curadoria de Augusto Fonseca.

O trabalho apresenta uma instalação e uma gravação audiovisual com os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, o Caxeado. A produção transita entre Goiás e Minas Gerais e se aproxima da música caipira, acompanhando suas transformações até a consolidação do sertanejo romântico.

Faixa no salão nobre

Uma grande faixa de tecido com o título da obra ficará instalada no salão nobre do MAP, entre duas colunas internas que são visíveis do lado de fora do museu. O formato recupera um recurso comum nas ruas e festas populares para dar escala pública a uma declaração íntima.

"O título anuncia uma separação e deixa em suspenso aquilo que pode existir depois dela", explica Benedito Ferreira.

Gravação aberta ao público

No dia 15 de novembro, Benedito realiza uma gravação audiovisual aberta ao público, em frente ao museu, com os violeiros Zé Canhoto e Caxeado. Com cerca de 40 anos de diferença entre si, os músicos participam dos encontros de violeiros que acontecem na capital mineira e se reúnem para tocar uma composição improvisada, promovendo um encontro entre diferentes gerações ligadas à viola e à música caipira.

A gravação integra a pesquisa audiovisual desenvolvida pelo artista durante o Bolsa Pampulha. A aproximação entre a frase de despedida e a música tocada pelos dois violeiros retoma uma questão presente na produção recente de Benedito: a permanência de certas imagens do sertão e as mudanças que elas sofrem quando atravessam outros tempos e lugares.

Trajetória e programa

Nascido em Itapuranga, Goiás, e radicado em Goiânia, Benedito Ferreira é artista visual, cineasta e pesquisador. Nos últimos anos, apresentou sua produção em países como Portugal, França, Holanda, Armênia, Polônia, Geórgia, Romênia, Uruguai, Colômbia e Coreia do Sul. Durante sua residência na Bolsa Pampulha, tem percorrido Belo Horizonte com sua câmera atrás de imagens do sertanejo que aparecem na cidade.

O Bolsa Pampulha é a continuidade do Salão de Arte da Prefeitura, instituído em 1937. Desde sua reformulação, em 2002, o programa consolida-se como um centro de experimentação, deixando de ser apenas um prêmio de exibição para focar na investigação e na formação artística. A iniciativa é reconhecida nacionalmente por projetar nomes como Cinthia Marcelle, Marilá Dardot, Laura Belém, Paulo Nazareth, João Castilho, Efe Godoy, Desali, Sallisa Rosa, Froiid e Luana Vitra.

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