BH, 16 de outubro de 2026
Sexta-feira, 17:03

STJ tira da Justiça Militar decisões urgentes sobre morte de capitã da PM em BH

Liminar do STJ determina que Justiça comum analise medidas urgentes do caso da capitã da PM morta em BH e reavalie prisão de sargento suspeito.

·
STJ tira da Justiça Militar decisões urgentes sobre morte de capitã da PM em BH
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar que determina que as medidas urgentes relacionadas à morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo sejam decididas pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A decisão foi publicada nesta semana e vale enquanto o tribunal não definir qual ramo do Judiciário é competente para conduzir o processo. O caso ocorreu em um prédio no bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte.

A liminar também determinou que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reavalie a prisão preventiva do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a capitã. A defesa dele entrou com recurso no STJ alegando que a Justiça comum e a Justiça Militar investigavam os mesmos fatos. O inquérito policial militar, no entanto, poderá continuar para apurar outras possíveis infrações militares.

O que diz a defesa do sargento

O advogado que representa o sargento afirmou que o processo que tramita sob sigilo no Tribunal do Júri de Belo Horizonte segue regularmente, com diligências realizadas e audiência marcada. Segundo o defensor, o STJ deferiu a liminar para que todas as medidas urgentes sejam tomadas pela Justiça comum até que o tribunal defina a competência. Ele disse entender que a competência é da Justiça comum, mas que aguardará o mérito da decisão.

Sobre a prisão preventiva do sargento, que atualmente está em regime disciplinar diferenciado após condutas inadequadas na sede do 34º Batalhão, o advogado afirmou que a questão será tratada em momento oportuno.

Relembre o caso

Na noite de 20 de julho, a capitã deu entrada sem sinais vitais e com múltiplas lesões corporais no Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. O sargento relatou à corporação que o casal teria dado uma festa no apartamento onde morava, no bairro Santa Cruz. Após a saída dos convidados, por volta das 5h, eles teriam tido relações sexuais que, segundo o sargento, envolviam práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como "spanking".

O suspeito alegou que esse tipo de prática fazia parte do relacionamento, que tinha cerca de oito anos, e que os atos daquela madrugada foram gravados em vídeo. Ele também disse que as práticas incluíam agressões corporais, compressão do pescoço e outros atos de dominação.

O militar argumentou ainda que, por volta do meio-dia, a esposa teria caído da escada de casa, sofrido um corte profundo na cabeça e machucado a boca. Segundo ele, Michele reclamava de forte tontura, mas não quis ir ao médico por sentir vergonha do estado em que estava após o uso de ecstasy. Conforme a versão apresentada pelo sargento, ele teria prestado os primeiros socorros, teria dado banho na esposa, teria controlado o sangramento e, em seguida, teria colocado Michele deitada. Os dois teriam dormido por volta das 15h e, apenas às 21h, ele teria percebido que a mulher não respondia aos estímulos.

Denúncia do Ministério Público

Em 29 de agosto, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou o sargento pelos crimes de feminicídio, fraude processual, lesão corporal e tráfico de drogas.

A reportagem procurou a Justiça de Belo Horizonte, o STJ, o Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais e a Polícia Militar, mas ainda aguarda retorno.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn

Bairros nesta matéria: Santa Cruz

Leia também