Obras contra enchentes em BH acumulam atrasos; só uma de quatro está concluída
Pacote de drenagem nas regiões Norte e Nordeste de BH tem obras paralisadas por suspeitas de irregularidades e ajustes técnicos; uma foi retomada

Das quatro grandes obras de drenagem urbana prometidas para as regiões Norte e Nordeste de Belo Horizonte entre 2020 e 2022, apenas uma está concluída. As outras três acumulam atrasos, problemas técnicos e suspeitas de irregularidades, e não há data definida para a retomada de todas.
A única obra entregue é o reservatório Vilarinho 1, o menor do pacote, com capacidade para 10 milhões de litros de água e custo de 12,8 milhões de reais.
Praça das Águas volta a ser tocada após um ano parada
A obra da Praça das Águas, na Avenida Cristiano Machado, entre os bairros São Gabriel, Vila Suzana e Primeiro de Maio, foi retomada em 13 de outubro, após mais de um ano de paralisação por suspeita de irregularidades. O reservatório atua no controle do fluxo do Ribeirão Pampulha e do Córrego Cachoeirinha, que juntos formam o Ribeirão do Onça, e tem capacidade para 27 milhões de litros de água. O objetivo é evitar o transbordamento e o consequente alagamento da Avenida Cristiano Machado e adjacências.
Licitada e iniciada em 2022, a obra foi paralisada em setembro de 2025 por ordem do prefeito Álvaro Damião, que alega ter percebido indícios de irregularidades nos contratos de licitação. A prefeitura notificou o Ministério Público, que passou a investigar o caso e pediu a suspensão de quaisquer pagamentos por parte da PBH às empresas envolvidas na investigação. Uma nova licitação foi lançada, com valor de 46,9 milhões de reais. O reservatório, que já estava 60% pronto, deve ficar concluído em dezembro de 2027. A conclusão total das obras, com ações de paisagismo e ajustes viários, tem prazo até junho de 2028.
Vilarinho 2 e Nado 1 seguem sem retomada
O reservatório Vilarinho 2, na Avenida Vilarinho, em Venda Nova, teve início no primeiro semestre de 2021 e duas fases concluídas antes de ser suspenso em setembro de 2025, também por ordem do prefeito, sob a mesma alegação de indícios de irregularidades nos contratos de licitação. A estrutura foi projetada para armazenar cerca de 115 milhões de litros de água e, atualmente, funciona com metade da capacidade, conforme a prefeitura. Com autorização da Justiça, uma nova licitação foi lançada em setembro deste ano, com prazo para envio de propostas até 13 de outubro. A prefeitura analisa as propostas e deve publicar o resultado nas próximas semanas. O valor estimado para a conclusão da obra é de 67,5 milhões de reais.
Já o reservatório Nado 1, no encontro da Avenida Vilarinho com a Rua Doutor Álvaro Camargos, próximo à região da Estação Venda Nova e ao Bairro São João Batista, também teve obras iniciadas no primeiro semestre de 2021 e capacidade prevista para 115 milhões de litros de água. A obra foi paralisada em maio de 2025 pelo prefeito Álvaro Damião, que justificou a medida como necessária diante de desafios técnicos da estrutura. Conforme a prefeitura, o aumento do nível de água e instabilidades do solo inviabilizaram o prosseguimento das ações. O município revisa os projetos de execução do reservatório e espera retomar essa obra em 2027.
O que muda para quem mora na região
As obras do pacote têm como objetivo conter enchentes e alagamentos nas regiões Norte e Nordeste da capital, áreas que concentram os reservatórios do Ribeirão do Onça e do córrego Cachoeirinha. Com parte das estruturas operando abaixo da capacidade prevista e sem cronograma fechado para as frentes paralisadas, a proteção definitiva contra transbordamentos nessas áreas segue pendente.
Bairros nesta matéria: São Gabriel, Suzana, Primeiro de Maio


