Smed recua após suspender bibliotecários de EMEIs em Belo Horizonte
Secretaria de Educação de BH revogou comunicado que suspendia atuação de bibliotecários em EMEIs, mas futuro das bibliotecas segue indefinido

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) de Belo Horizonte suspendeu, na terça-feira (29/9), a atuação de bibliotecários nas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) da rede municipal e revogou a decisão no dia seguinte. O comunicado, enviado a diretores e equipes, determinava que os profissionais passariam a atender exclusivamente as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs).
Segundo o texto enviado às escolas, a medida era necessária porque os espaços das bibliotecas nas EMEIs seriam readequados para funcionar como salas de aula. Após a repercussão, a secretaria classificou a mensagem como equivocada e orientou as unidades a desconsiderar o conteúdo. A pasta afirmou ainda que não houve transferência de servidores bibliotecários.
Futuro das bibliotecas segue indefinido
Apesar da revogação, a Smed não afastou a possibilidade de fechamento desses espaços no futuro. Em nota, informou que estuda e aprimora os fluxos internos relacionados à organização dos serviços. Um ofício publicado na quarta-feira (30/9) indicou que, em caso de readequação futura, os livros das bibliotecas das EMEIs seriam transferidos para os chamados "cantinhos de leitura", espaços dentro das salas de aula da educação infantil.
No documento, a secretaria registrou que construirá alternativas para manter o acesso à leitura ao mesmo tempo em que garante vagas para a população, e que o acesso, a qualidade e a equidade serão assegurados em todo o processo.
Profissionais e famílias relatam apreensão
Entre bibliotecários e famílias de alunos, o clima é de incerteza. Integrantes do sindicato da categoria relatam ansiedade e preocupação, e afirmam que há muito tempo circulam boatos sobre o fechamento das bibliotecas das EMEIs. Uma bibliotecária de uma unidade da região Centro-Sul, que preferiu não se identificar, disse ter levado um susto com a notícia e relatou tristeza e frustração, por considerar que o espaço da biblioteca e a atuação dos profissionais estavam sendo desvalorizados.
Mães de alunos também manifestaram preocupação com o impacto na formação das crianças. Uma delas, responsável por uma estudante de uma EMEI no bairro de Lourdes, afirmou que as atividades no espaço de leitura da unidade seguem interrompidas desde agosto, e que, mesmo quando o local fica aberto, não há monitor para auxiliar as crianças. Ela classificou o impacto do fechamento de bibliotecas como enorme na formação infantil.
Procurada anteriormente sobre a situação da biblioteca dessa unidade, a Prefeitura de Belo Horizonte havia informado que a informação de que o espaço tinha sido suspenso não procedia.
O que muda para as famílias
Com a revogação do comunicado, a atuação dos bibliotecários nas EMEIs não está formalmente suspensa. No entanto, a secretaria não confirmou a manutenção definitiva das bibliotecas como espaços independentes, e o cenário de reorganização mantém em aberto o formato do serviço de leitura na educação infantil da rede municipal.
Bairros nesta matéria: Lourdes


