Queda de monomotor no São Gabriel reacende debate sobre voos na Pampulha
Avião caiu em pátio de manutenção na região Nordeste de BH; moradores relatam medo de voos baixos e especialistas divergem sobre riscos

A queda de um avião monomotor no pátio de manutenção da estação São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (9/10), reacendeu a discussão sobre a operação do Aeroporto da Pampulha e o risco para quem mora no entorno. A aeronave decolou do terminal da Pampulha e caiu logo em seguida, o mesmo padrão do acidente de maio, quando um avião atingiu um prédio no bairro Silveira, também na região Nordeste da capital.
Moradores relatam medo diário
Vizinhos do aeroporto dizem conviver com a insegurança de voos em baixa altitude. Uma vendedora de 59 anos, moradora há décadas do bairro São Gabriel, afirmou que o fluxo de aeronaves na região aumentou após o fechamento do Aeroporto Carlos Prates e que a rota das escolas de aviação passa justamente por ali. Segundo ela, não são apenas aviões pequenos: os grandes também sobrevoam a área.
Especialistas divergem sobre causas
Um especialista em aviação e secretário da Comissão de Direito Aeronáutico da OAB-MG avalia que aeroportos inseridos em regiões densamente habitadas trazem problemas desse tipo e que a Pampulha herdou parte das aeronaves que operavam no Carlos Prates, transferindo parte do problema. Ele explica que, nos pousos, a trajetória de alinhamento com a pista exige sobrevoo de edificações em baixa altura, mas que na Pampulha a predominância de pousos ocorre sobre a Lagoa da Pampulha, o que minimiza o risco. Já nas decolagens, uma pane que impeça o ganho de altura torna real o risco de colisão com estruturas.
Um piloto e sócio de uma escola de aviação discorda que o aeroporto tenha relação com os acidentes. Para ele, a aeronave poderia ter decolado de qualquer terminal do país e a Pampulha não tem fator contribuinte. Ele lembra que a vizinhança do antigo Carlos Prates também questionava as operações na época.
Fechamento do Carlos Prates e destino dos voos
O Aeroporto Carlos Prates encerrou as atividades em 2023, após portaria publicada em dezembro de 2022 pelo Ministério da Infraestrutura que determinou a transferência da exploração até 1º de abril daquele ano. A Prefeitura de Belo Horizonte e moradores da vizinhança defendiam a desativação; pilotos em formação e representantes de empresas atuantes no local reivindicavam a manutenção dos serviços.
O aeródromo funcionava como um dos principais apoios à aviação executiva em Minas Gerais e tinha foco no treinamento de pilotos, atendendo inclusive à formação de quadros da Polícia Militar, da Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros. Também abrigava aviação desportiva, movimentação de pequeno porte e construção de aeronaves.
As atividades de aviação de pequeno porte, instrução de voo e táxi aéreo que operavam no Carlos Prates foram direcionadas para outros espaços da região metropolitana, com destaque para o Aeroporto da Pampulha.
Histórico de acidentes na região
A ocorrência frequente de acidentes nas imediações do antigo aeroporto gerou temor na população vizinha ao longo dos anos. Em 2019, três pessoas morreram e outras três ficaram feridas após um avião de pequeno porte cair a cerca de 1,3 quilômetro da cabeceira da pista. Em dezembro de 2014, uma aeronave de pequeno porte caiu na pista marginal do Anel Rodoviário após tentar pousar no aeroporto, ferindo o piloto. Em novembro do mesmo ano, um avião de pequeno porte caiu sobre uma casa próxima ao aeroporto, e o piloto e um aluno foram encaminhados para atendimento hospitalar. Em agosto de 2012, um helicóptero se chocou contra um barranco perto da pista, deixando duas pessoas feridas.
Bairros nesta matéria: São Gabriel, Silveira


