Praça das Águas tem obras retomadas e metrô do Barreiro aguarda ajustes com a MRS
Novo consórcio assume obra na Cristiano Machado com prazo até 2028; já a via permanente do metrô entre Ferrugem e Barreiro depende de acerto com a MRS.

As obras da Praça das Águas, na avenida Cristiano Machado, próximo à Estação São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, serão retomadas após quase um ano de paralisação. A contratação do novo consórcio responsável foi publicada no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (24). O consórcio vencedor da licitação aberta pela Prefeitura de Belo Horizonte em abril é formado pelas empresas Ster Engenharia e Marisma Engenharia Construções.
O contrato tem valor de R$ 47,4 milhões e prazo de 540 dias para execução dos serviços, até meados de março de 2028, sob acompanhamento da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). Os recursos virão do Fundo Municipal de Saneamento e de financiamento junto à Caixa Econômica Federal.
O que a obra prevê
A principal estrutura da Praça das Águas é uma caixa de captação com capacidade para armazenar até 27 milhões de litros de água. O equipamento integra um conjunto de intervenções na confluência do ribeirão Pampulha com o córrego Cachoeirinha, com o objetivo de ampliar a retenção e o direcionamento da água das chuvas para o ribeirão do Onça. A meta é reduzir os alagamentos recorrentes na avenida Cristiano Machado, especialmente no entorno da Estação São Gabriel.
O projeto inclui ainda obras de drenagem, pavimentação, contenções, remanejamento de rede de esgoto, adequações viárias e medidas de compensação ambiental. Quando os trabalhos foram interrompidos, em novembro do ano passado, cerca de 75% da obra já havia sido executada. A previsão inicial era concluir a intervenção no segundo semestre deste ano, mas a suspensão comprometeu o cronograma.
Paralisação e investigações
A paralisação ocorreu após a Justiça determinar a suspensão de pagamentos relacionados a esse e a outros contratos, em meio a apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo convênios de obras de macrodrenagem da capital. As suspeitas surgiram a partir de uma auditoria interna aberta em fevereiro do ano passado para investigar possíveis falhas na execução de obras da Sudecap. Em novembro, o Ministério Público deflagrou uma operação para investigar o suposto esquema, com o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão. No dia seguinte à operação, dois servidores que ocupavam cargos de chefia na Sudecap foram exonerados.
Outras obras do pacote de macrodrenagem também foram afetadas. As intervenções nos reservatórios Vilarinho II e Nado I seguem paralisadas. Em setembro deste ano, a prefeitura abriu licitação para retomar as obras do Vilarinho II, mas o processo ainda não tinha resultado até a publicação da reportagem. Juntos, os dois reservatórios foram projetados para armazenar cerca de 230 milhões de litros de água e fazem parte do sistema de macrodrenagem do córrego Vilarinho, cuja implantação começou em 2021.
Metrô: trecho do Barreiro depende de acerto com a MRS
As obras da via permanente do Metrô BH no trecho entre as futuras estações Ferrugem e Barreiro ainda não começaram. O avanço depende da conclusão de ajustes com a MRS Logística, empresa responsável pela operação ferroviária na região. A expectativa é que o acerto seja fechado nas próximas semanas.
Segundo a MRS, as tratativas com a concessionária do metrô estão sendo feitas em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (Seinfra), para definir e compatibilizar as áreas necessárias. A empresa afirma que busca conciliar as operações ferroviárias com a implantação do trecho e garantir a continuidade do transporte metroferroviário e do transporte público na região. As empresas não detalharam quais ajustes devem ser feitos.
A Seinfra informou que, para a implantação das novas estações da Linha 2, será realizado o chamado arraste de linha, ou seja, o reposicionamento dos trilhos atuais usados no transporte de carga para liberar espaço para a construção da nova via destinada ao transporte de passageiros, dentro da própria faixa de domínio ferroviário. Cerca de sete quilômetros de vias de carga existentes precisarão ser executados e remanejados ao longo da implantação da Linha 2.
A construção da via permanente já está em andamento no trecho entre a Estação Amazonas e o local onde será construída a Estação Ferrugem. As obras das estações Ferrugem e Barreiro devem começar entre janeiro e fevereiro de 2027.
Linha 2 e prazos
A Linha 2 do Metrô BH terá sete estações: Nova Suíça, Amazonas, Nova Gameleira, Nova Cintra, Vista Alegre, Ferrugem e Barreiro, ao longo de aproximadamente 10,5 quilômetros. Com a conclusão do projeto, a rede metroviária de Belo Horizonte deverá chegar a cerca de 41 a 42 quilômetros, considerando também a Linha 1.
A previsão é de que as obras das três estações que entram nesta nova etapa sejam concluídas até o final de 2027. A operação completa da Linha 2 está prevista para o primeiro semestre de 2028, com prazo contratual indicado para março de 2028. As intervenções incluem preparação das áreas, retirada e reorganização de trechos da linha de carga, construção das estações e adequações para a implantação dos trilhos e dos acessos.
A concessão do Metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte envolve R$ 3,7 bilhões, destinados a intervenções de modernização e ampliação do sistema, incluindo a construção da Linha 2 e melhorias na Linha 1. O valor reúne recursos públicos e da iniciativa privada.
Bairros nesta matéria: São Gabriel


