Justiça concede perdão judicial a motorista de acidente que matou estudante em BH
Decisão reconheceu consequências graves sofridas pelo próprio condutor, que perdeu as duas pernas após colisão na Avenida Nossa Senhora do Carmo.

A Justiça de Minas Gerais concedeu perdão judicial ao motorista envolvido no acidente que matou uma estudante de jornalismo de 22 anos em Belo Horizonte. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (5/10) e se refere aos artigos 302 e 303 do Código de Trânsito Brasileiro, que tratam de homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo.
O acidente ocorreu na noite de 7 de setembro de 2025, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, no bairro Carmo, região Centro-Sul da capital. O condutor perdeu o controle do veículo, subiu em uma ilha canalizadora e bateu contra um poste de sinalização semafórica. Com a colisão, o poste caiu sobre a rede elétrica de alta tensão e o carro ficou energizado.
A estudante, que estava no veículo, morreu após sofrer uma descarga elétrica. O motorista também foi atingido pela corrente elétrica e sofreu queimaduras graves. Um terceiro ocupante do carro teve escoriações leves.
Consequências graves ao condutor embasaram decisão
O perdão judicial foi concedido porque a Justiça entendeu que as consequências físicas e emocionais sofridas pelo próprio condutor foram tão graves que anulam a necessidade de pena. Ele ficou internado em estado gravíssimo por cerca de 60 dias, sendo 18 em coma induzido, e passou por mais de dez cirurgias.
As queimaduras provocadas pela descarga elétrica e pelo incêndio resultaram na amputação das duas pernas, uma acima do joelho e outra abaixo. O motorista também sofreu perda de tecido cutâneo e ósseo na cabeça, no ponto de saída da corrente elétrica, além de dores crônicas e limitações permanentes.
Segundo informações apresentadas no processo, ele também relatou sofrimento psicológico após a morte da namorada, com quem mantinha relacionamento havia quase quatro anos. Em relatos reunidos no processo, chegou a dizer, durante momentos de dor, que preferia ter morrido junto com ela.
Família da vítima manifestou apoio ao condutor
A família da estudante manifestou apoio ao motorista. Em carta encaminhada a ele, a mãe da jovem afirmou que não o culpava pela morte da filha e destacou o relacionamento mantido pelo casal, reconhecendo o amor, o cuidado, o carinho e o respeito existentes entre os dois.
O inquérito do acidente havia sido concluído em 16 de dezembro de 2025, e o condutor foi indiciado em janeiro de 2026. Ele havia sido denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por homicídio culposo na direção de veículo automotor qualificado pela influência de álcool e por lesão corporal culposa contra o terceiro ocupante.
Há divergência entre as informações sobre a idade do condutor no momento da decisão judicial. A estudante cursava o 8º período de Jornalismo na PUC Minas e trabalhava como estagiária em uma emissora de TV.
Bairros nesta matéria: Carmo


