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Idoso morre após dois meses em coma por agressões em ônibus de BH

Homem de 72 anos faleceu no domingo após ser espancado em julho dentro de coletivo da linha 61, acusado de importunação sexual.

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Idoso morre após dois meses em coma por agressões em ônibus de BH
Imagem ilustrativa

Um homem de 72 anos morreu neste domingo (20/9) após permanecer internado em coma por aproximadamente dois meses no Hospital João XXIII. Ele havia sido espancado em 17 de julho dentro de um ônibus da linha 61, na Região Central de Belo Horizonte, após ser acusado de importunação sexual por passageiros.

O idoso estava a caminho do trabalho quando entrou no coletivo lotado. Segundo relatos da família e do advogado que representa os parentes, uma pessoa o acusou de importunação sexual — não a suposta vítima, mas outra mulher que teria presenciado a cena. Após a acusação, passageiros começaram a agredi-lo dentro do ônibus e continuaram as agressões após ele ser retirado do veículo, em uma estação do Move no centro da cidade.

Divergência sobre número de agressores

As fontes apresentam informações conflitantes sobre quantos homens agrediram o idoso. Segundo o advogado da família, Gilmar Francisco, imagens de câmeras de segurança mostram "quatro agressores" praticando "agressões diversas na região do membro superior, cabeça, tronco". Porém, outras fontes mencionam "três jovens" que o agrediram e o empurraram para fora do veículo.

As imagens registram o momento em que o idoso cai no chão e continua sendo chutado pelos agressores, com os rostos visíveis. Segundo a Guarda Civil de BH, um guarda civil que estava no local interveio na situação, mas os agressores escaparam. Apenas o idoso foi conduzido pelos oficiais.

Questionamentos sobre atendimento médico

Após as agressões, o idoso foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, onde, segundo a família, o médico afirmou que ele não apresentava ferimentos aparentes e o liberou com prescrição de ibuprofeno e dipirona. A irmã do idoso, Sandra Helena Marques, afirma que ele apresentava sinais graves: sangramento pelo nariz e pelos olhos, além de vômito com sangue.

"Com o tamanho da lesão que ele tinha, lesões aparentes, ele estava vomitando sangue, sangue escorrendo pelos olhos, pelo nariz, e levaram ele para uma UPA onde não tem a aparelhagem necessária para poder diagnosticar a lesão que ele tinha no cérebro", relatou Sandra à imprensa.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que, durante a avaliação na UPA Centro-Sul, o médico cirurgião não identificou sinais clínicos que indicassem suspeita de fratura ou necessidade de internação. A pasta reforçou que informações detalhadas sobre o atendimento constam em prontuário médico e são sigilosas.

Após a liberação da UPA, o idoso foi conduzido à delegacia para aguardar audiência de custódia. À noite, quando policiais foram até a cela para conduzi-lo ao presídio, ele estava desacordado e foi levado ao Hospital João XXIII, onde permaneceu em coma até a morte por traumatismo craniano.

Investigações em andamento

A Polícia Civil informou que o idoso foi indiciado por importunação sexual cometida no dia 17 de julho. De acordo com boletim de ocorrência, a suposta vítima, de 41 anos, relatou à Polícia Militar que o idoso encostou as partes íntimas no corpo dela. A investigação sobre a importunação foi concluída no início de agosto e os documentos foram enviados ao poder judiciário.

Porém, o inquérito que apura as agressões sofridas pelo idoso ainda está em andamento. Segundo a PCMG, testemunhas já foram ouvidas e algumas diligências foram realizadas. A corporação afirmou que segue adotando providências necessárias para o esclarecimento do ocorrido.

O advogado da família criticou a velocidade das investigações. "A Polícia Civil apurou o crime de importunação e esqueceu que tinha uma vida em jogo, e não apurou o crime, agora, de homicídio, que é muito mais grave", afirmou Francisco, informando que a família não foi intimada do indiciamento.

Negação da acusação

A família nega que o idoso tenha cometido importunação sexual. Segundo relatos, a própria mulher apontada como vítima não teria percebido ou confirmado a suposta importunação. O advogado sugere que o idoso, que fazia uso de medicamentos que poderiam causar sonolência, pode ter esbarrado involuntariamente em alguém dentro do ônibus lotado com sua mochila.

Sandra Helena Marques lamentou o ocorrido e pediu justiça. "Mesmo que fosse culpado, apesar de não ser, que o levassem preso e dessem a ele a chance de se defender. Ele estaria aqui para contar a versão dele. A prefeitura, a Polícia Civil, todo mundo vai pagar pela morte do meu irmão", disse.

O idoso era aposentado, mas havia voltado ao mercado de trabalho como manobrista em um estacionamento no Centro de Belo Horizonte para complementar a renda. Ele era casado há 25 anos e deixou cinco filhos, netos e bisnetos. Morava na região de Venda Nova.

Bairros nesta matéria: Centro

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