Greve de professores da rede particular segue sem acordo em Belo Horizonte
Professores das escolas particulares de BH mantêm paralisação após audiência no TRT terminar sem consenso sobre renovação de convenção coletiva.

A greve dos professores da rede particular de Belo Horizonte e região continua sem perspectiva de encerramento após a audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na segunda-feira (21/9) terminar sem acordo entre as partes.
A paralisação, que começou em 16 de setembro, foi mantida por tempo indeterminado após assembleia com mais de 700 docentes na sexta-feira (18/9). Os professores cobram a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que venceu em abril e ainda não foi assinada.
O ponto central da discordância
O principal obstáculo nas negociações é a proposta do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Minas Gerais (Sinepe-MG) de dividir a convenção atual em dois documentos separados: um para educação básica e outro para ensino superior. Os professores, representados pelo Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), rejeitam categoricamente essa divisão e defendem a renovação da convenção unificada.
Segundo a categoria, a separação enfraqueceria a representatividade coletiva e abriria espaço para perdas de direitos conquistados ao longo dos anos, como bolsas de estudo e isonomia salarial. Os docentes também temem que a divisão comprometa benefícios que extrapolam o previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), já que mais de 50% do salário de um professor da rede particular vem de direitos garantidos pela CCT.
Novas propostas e impasse persistente
Durante a audiência de segunda-feira, o Sinepe-MG apresentou uma mudança de postura ao concordar em assinar uma única convenção coletiva, mas condicionou o acordo à aceitação de duas alterações: o fim da isonomia salarial e a mudança da indenização por redução de carga horária. O Sinpro Minas informou que a categoria já havia rejeitado essas propostas, mas as levará para votação em nova assembleia.
O impasse agora segue para julgamento no TRT, sem data definida. A próxima assembleia dos professores está marcada para terça-feira (22/9), às 9h30, no auditório da Fundação de Educação, Artes e Cultura (Fundac), no bairro Lagoinha, para deliberar sobre a continuidade da paralisação.
Reivindicações além do reajuste salarial
Além da renovação da convenção, os professores reivindicam reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Porém, a pauta da categoria vai além da questão salarial. Os docentes também cobram discussões sobre saúde mental, sobrecarga de trabalho, direito à desconexão fora do horário laboral e revisão das aulas aos sábados.
Segundo relatos de professores, algumas instituições já estariam se recusando a conceder benefícios como bolsas de estudo com a justificativa de que a convenção não está vigente. Há também denúncias de que diretores estão entrando em sala de aula para substituir professores grevistas, prática que viola legislação trabalhista.
O Sinepe-MG, em nota, reconheceu que o momento "exige cuidado, serenidade e respeito aos professores, estudantes e famílias" e reafirmou que sua proposta não prevê retirada de direitos, mas apenas a reorganização da convenção em instrumentos específicos para cada segmento educacional.
Bairros nesta matéria: Lagoinha


