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Cármen Lúcia defende mobilização contra feminicídio em evento lotado em BH

Ministra do STF participou do Sábados Feministas na Academia Mineira de Letras e cobrou políticas públicas efetivas contra a violência de gênero

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Cármen Lúcia defende mobilização contra feminicídio em evento lotado em BH
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia participou neste sábado (26/9), em Belo Horizonte, do evento Sábados Feministas, promovido pela Academia Mineira de Letras (AML) em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata. Com o tema "Democracia e mulheres: conquistas e desafios", o encontro lotou o espaço da instituição. Foram distribuídas 100 senhas por ordem de chegada, e parte das pessoas que procurou o local não conseguiu entrar, apesar de o evento ter sido anunciado como gratuito e aberto ao público.

Defesa de mobilização contra a violência de gênero

Durante cerca de uma hora de fala, seguida de respostas ao público, a ministra defendeu uma mobilização coletiva das mulheres para enfrentar a violência e as mortes de gênero no Brasil. Cármen Lúcia afirmou que, apesar dos direitos conquistados na legislação, a igualdade ainda não se concretizou na vida cotidiana. "Nós não conquistamos ainda o direito à igualdade na prática, conquistamos no direito e isso é importante, é essencial", declarou.

A ministra também cobrou ações efetivas do poder público no enfrentamento ao problema. "No que se refere a políticas públicas, tem muito verbo e pouca verba", criticou. Segundo ela, não basta autoridades defenderem publicamente a igualdade sem promoverem a participação feminina nos espaços de decisão.

Ao abordar os feminicídios, Cármen Lúcia avaliou que o aumento da presença e da voz feminina tem provocado reações. Ela citou relatos de violência que recebe e lembrou que agressões frequentemente ocorrem dentro de relações afetivas. A ministra defendeu que a luta contra retrocessos precisa ser "contínua, séria, corajosa" e intransigente na preservação de direitos já conquistados.

Educação como caminho para a igualdade

A educação foi outro tema central da participação da ministra. Ela contou que visitou 15 escolas, incluindo instituições de Planaltina, Betim e do interior de Goiás, para entender como as crianças falam e o que esperam da democracia. A experiência ajudou na elaboração de "O Livro da Democracia", obra infantojuvenil escrita em parceria com a jornalista Mariana Oliveira e publicada neste mês, com 116 páginas e destinada a leitores a partir dos 8 anos.

Questionada por uma mulher da plateia sobre a possibilidade de as escolas terem uma disciplina dedicada ao feminismo, Cármen Lúcia afirmou que é fundamental tratar do tema desde cedo, embora ainda não defenda uma disciplina exclusiva. "Eu acho que a gente tem que falar de feminismo nas escolas, sim", disse. Para ela, a igualdade entre mulheres e homens deve ser compreendida dentro da educação em direitos humanos.

Confiança nas instituições

A ministra também fez referências ao momento vivido pelo STF, sem mencionar episódios específicos. Ela afirmou que a confiança é um dos fundamentos da democracia e disse ter "sofrimento" e "tristeza" diante de questionamentos sobre a confiabilidade das instituições. "Eu tenho absoluta ciência, sofrimento e tristeza de estarmos passando por um momento em que as pessoas olham para as instituições, inclusive as que eu integro, e questionam a confiabilidade", declarou.

Cármen Lúcia ponderou, no entanto, que eventuais questionamentos sobre a atuação das pessoas que ocupam os órgãos públicos não retiram a importância das instituições. Ela também defendeu o diálogo entre pessoas com opiniões distintas, criticando o isolamento em grupos que compartilham as mesmas visões.

A mesa do evento foi formada por Cármen Lúcia, pela presidente do movimento Quem Ama Não Mata, Mirian Chrystus, e pelo presidente da AML, Jacyntho Lins Brandão. Mirian destacou que a parceria entre o movimento e a Academia existe há três anos. Jacyntho ressaltou o engajamento da instituição no enfrentamento à violência de gênero.

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