BH, 24 de setembro de 2026
Quinta-feira, 16:34

Aluno da EJA comemora 92 anos em escola municipal da Pampulha

José Maria Borges, aluno da EJA na Escola Municipal Professora Anne Frank, na Pampulha, comemorou 92 anos nesta quarta-feira (23).

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Aluno da EJA comemora 92 anos em escola municipal da Pampulha
Cláudio Lacerda/Smed

Um dos estudantes mais velhos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, José Maria Borges completou 92 anos nesta quarta-feira (23) e comemorou a data na Escola Municipal Professora Anne Frank, na Regional Pampulha, onde estuda. Familiares e profissionais da escola participaram da comemoração, que teve bolo e parabéns.

Nascido em 23 de setembro de 1934, em São João Evangelista, no interior de Minas Gerais, José Maria iniciou sua trajetória na EJA na Escola Municipal Professora Alice Nassif, onde estudou até 2016. Com o encerramento da oferta da modalidade na unidade, ele não interrompeu os estudos: entre 2017 e 2018, frequentou uma turma externa da Escola Municipal Caio Líbano Soares. Em 2019, chegou à Professora Anne Frank, onde permanece até hoje.

Para José Maria, voltar à escola é motivo de alegria e representa a oportunidade de continuar aprendendo. “É um prazer estar aqui. Fico mais alegre, mais confortável, despreocupado. Quero aprender a ler e a escrever, observar o que os outros dizem e aprender a fazer as coisas”, afirma o estudante.

Rotina de dedicação e convívio na escola

Vera Lucia Silva Mesquita, uma das professoras de José Maria, destaca que o aluno é muito assíduo às aulas, chegando no início do turno e permanecendo até o final. “É um aluno dedicado, que copia todas as atividades e mantém uma letra muito bonita. Nos momentos de certa dificuldade para compreender alguns conteúdos, basta ele receber a atenção de alguém, que se senta ao lado para explicar com calma, que consegue realizar as atividades propostas”, afirma.

A cordialidade em sala de aula é outro ponto forte apontado pela professora. “Ele é uma pessoa muito educada, gentil e querida por todos na escola. Mantém sempre a cordialidade, responde com um sorriso e demonstra muito carinho no convívio com professores e colegas”, completa.

Trajetória marcada pelo trabalho e pela família

A filha de José Maria, Valquíria Borges Ferreira, conta que ele é o segundo de sete irmãos e conheceu ainda criança as dificuldades da vida. Perdeu o pai aos 7 anos e aos 10 deixou a casa da família para trabalhar em fazendas da região. Aos 36 anos, os caminhos da vida o levaram para Machacalis, no Norte de Minas, onde conheceu Maristela, com quem se casou e constituiu família. Os primeiros anos do casal foram vividos na roça.

Passados alguns anos, a família decidiu tentar a vida em Belo Horizonte. A mudança, no entanto, não foi imediata para José Maria, que tinha forte ligação com a vida no campo. A esposa e sua primeira filha, Valquíria, seguiram primeiro para a capital. Meses depois, vencido pela saudade, em 1975 ele também deixou a roça para se reencontrar com a família.

Em Belo Horizonte, enfrentou nova rotina de trabalho e dificuldades financeiras. Trabalhou na construção civil e durante anos a família morou em diferentes casas de aluguel, até conseguir estabelecer o próprio lar no Bairro Confisco. Ao longo desse período, a família cresceu com a chegada das filhas Vanessa, Valéria e Vanda.

Foi também dentro de casa que José Maria passou a incentivar as filhas a aproveitarem a oportunidade que ele próprio não teve. “Aproveita, minhas filhas, estuda. O maior sonho da minha vida foi estudar, mas eu nunca tive essa chance”, diz Valquíria, relembrando os ensinamentos do pai. Para a família, a conquista representa uma herança que vai muito além de bens materiais. “Meu pai sempre disse que não teve sorte, que não nos deixaria bens, casas ou riquezas. Hoje queremos que ele saiba da verdade mais bonita. Ele é o homem mais bem-aventurado que conhecemos. Ele nos deu a sua maior herança, que é o seu tempo, seu suor, seu amor e sua fé. E por causa disso hoje somos o seu maior patrimônio, uma família vitoriosa, feita do seu amor”, conclui Valquíria.

EJA atende 6.688 estudantes em BH

A história de José Maria é um exemplo da diversidade de trajetórias na EJA de Belo Horizonte. A modalidade atende atualmente 6.688 estudantes de 15 a 102 anos, sendo 37 com mais de 90 anos.

A Rede Municipal de Educação conta com 156 pontos de atendimento da EJA, distribuídos pelas dez regionais de Belo Horizonte. São 6.448 estudantes no ensino fundamental e 240 no ensino médio. São 3.799 mulheres e 2.889 homens. No ensino fundamental, 4.912 estudantes são atendidos nas sedes das escolas e 1.776 em espaços externos, ampliando as possibilidades de acesso à modalidade.

A EJA é destinada a pessoas com 15 anos ou mais que não foram alfabetizadas ou que não concluíram a escolarização regular. A matrícula pode ser feita durante todo o ano, diretamente nas escolas que oferecem a modalidade ou nas Diretorias Regionais de Educação. Para facilitar o acesso, a Secretaria Municipal de Educação também disponibiliza o Aqui Tem EJA, ferramenta que permite localizar pontos de atendimento e vagas a partir de um endereço ou CEP. O recurso pode ser acessado pelo computador ou celular e também oferece pesquisa por comando de voz.

Bairros nesta matéria: Confisco

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