Marília Campos (PT) é eleita senadora por Minas Gerais
Ex-prefeita de Contagem conquista uma das duas vagas em disputa e encerra longa ausência da esquerda no Senado por Minas.

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) foi eleita senadora por Minas Gerais neste domingo (4/10). Ela conquistou a segunda das duas vagas em disputa no estado, atrás de Domingos Sávio (PL), que ficou com o primeiro posto. O senador Carlos Viana terminou em terceiro lugar.
Com a apuração ainda em andamento, Marília já estava matematicamente eleita. Os números finais de votação variam conforme o avanço da contagem: com 94% das urnas apuradas, ela somava 3.734.713 votos, 19,33% dos válidos; com 98%, chegava a 3.886.594 votos. Domingos Sávio aparecia com 4.727.528 votos (24,47%) no mesmo intervalo. Na sequência vinham Carlos Viana, com 17,51%, e Áurea Carolina, com 13,01%.
O mandato vai de fevereiro de 2027 a janeiro de 2035. A eleição deste ano renovou duas das três cadeiras de Minas no Senado. Os mandatos de Rodrigo Pacheco e de Carlos Viana chegaram ao fim. O terceiro senador mineiro é Cleitinho, eleito em 2022, que disputa o governo do estado. Caso seja eleito, quem assume a vaga é o primeiro suplente Alex Diniz.
Trajetória política
Nascida em Ouro Branco, na região Central de Minas, Marília é formada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trabalhou como bancária no Triângulo Mineiro e entrou na política pelo movimento sindical e pela militância na Igreja. É filiada ao PT desde 1980 e participou da fundação do partido e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na região. Também presidiu o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte por dois mandatos.
Mudou-se para Contagem ao se casar com o também sindicalista José Prata de Araújo. Disputou a prefeitura pela primeira vez em 1996, foi eleita vereadora em 2000 e exerceu três mandatos como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em 2004, foi eleita pela primeira vez prefeita de Contagem, tornando-se a primeira mulher a comandar o município, e foi reeleita quatro anos depois. Voltou à Prefeitura em 2020 e, em 2024, foi reeleita para o quarto período, com 188.228 votos (60,68% dos válidos), resultado que a tornou a mulher mais votada do país naquela eleição municipal. Renunciou ao mandato municipal em abril para disputar o Senado.
Primeira vitória da esquerda em décadas
A vitória encerra uma longa ausência da esquerda na representação mineira no Senado. A primeira eleição para a Casa após a promulgação da Constituição de 1988 ocorreu em 1990. Desde então, nenhum candidato identificado com esse campo político havia vencido uma eleição majoritária para o Senado em Minas Gerais. Entre 1994 e 2014, nomes ligados a PT, PDT e PSB chegaram, no máximo, à terceira colocação. Em 2018, a ex-presidente Dilma Rousseff terminou em quarto lugar, em disputa que elegeu Rodrigo Pacheco e Carlos Viana. Em 2022, a esquerda voltou a ficar em quarto, com a candidatura de Sara Azevedo.
Durante a campanha, Marília liderou numericamente todas as pesquisas, mas em empate técnico com Aécio Neves, Carlos Viana e Domingos Sávio. No Datafolha de 1º de outubro, tinha 13% no total das duas escolhas e 20% na primeira escolha. No início da corrida eleitoral, havia declarado que disputar uma das cadeiras de Minas no Senado seria sua única opção. Na visão dela, os desafios de 2026 "exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas". Em nota, sua equipe defendeu que sua atuação poderia ser uma base lulista no Senado e representar "um avanço na presença feminina nos altos cargos".


