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De graça, outra vez

Em 2003, um jovem sem computador em casa trabalhou de graça numa escola de informática. Uma crônica sobre sonhos, a avó que pagou o curso e recomeços.

Coluna assinada por Jeferson Magno Amorim Manini, Bombeiro militar e escritor, colunista de crônicas sobre Belo Horizonte. O texto reflete a opinião do autor e não representa necessariamente a posição do Na Savassi.
De graça, outra vez
Imagem ilustrativa Na Savassi/IA

Há alguns bons anos, lecionei por um ano em uma escola de informática. Em 2003, era febre: em cada esquina se via uma. Era caro, de difícil acesso, e poucos podiam pagar. Minha avó, mãe da minha mãe, que criou os cinco netos como se fossem filhos, pagou meu curso. Claro que houve um certo convencimento da minha parte, mas, sem o amor dela, não teria acontecido. Eu ia e voltava a pé toda terça e quinta, debaixo de chuva e sol, acontecesse o que acontecesse. Estudava de manhã na Escola Cláudio Brandão e, à tarde, ia para a aula. Se não me engano, começava às 16 horas.

A promessa não era somente aprender o básico, coisa que eu não sabia muito, mas também aprender a programar. O que eles vendiam era a ideia de programar uma interface gráfica e vendê-la para supermercados, sacolões e farmácias. Eu estava encantado com tudo aquilo, achava que poderia ganhar muito dinheiro, e para mim era uma oportunidade única.

Depois de cerca de um ano de curso, me formei. Confesso que saí sem saber muita coisa, mas aquilo me abriu a porta para lecionar no lugar de que falei no início.

Trabalhar de graça para aprender

Não tinha computador em casa, não tinha acesso a nada e era apaixonado por tecnologia. A proposta era trabalhar de graça e, em troca, o dono nos ensinaria a consertar computadores e a programar. Olha eu aí de novo.

Contei aos meus pais. Meu pai, à época, não gostou muito. Como assim, trabalhar de graça? Eram só umas horinhas, dois dias por semana. Aprendi responsabilidade, compromisso e respeito aos outros, e aprendi a ensinar.

O que ficou da experiência

Foi um ano muito bom. Confesso que não abriu muitas portas de início, porém todo o conhecimento adquirido me deu confiança para testar algumas coisas e me possibilitou trabalhar em lugares melhores no futuro.

Escrever de graça, outra vez

Hoje estou aqui, publicando minha primeira crônica. Mais uma vez, não vou receber. Sinto que esta será uma oportunidade ímpar em minha vida.
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