Três policiais civis se entregam suspeitos de forjar provas na Pampulha
Investigação da Corregedoria apura suspeita de plantio de drogas em operação de agosto; defesa contesta vídeos e pede liberdade dos agentes.

Os três policiais civis investigados pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil por suspeita de forjar provas durante uma operação na região da Pampulha se entregaram à Justiça entre sexta-feira (18) e sábado (19). Rafael Egg Macedo foi preso na segunda-feira (14), Ana Luiza Guimarães Carvalho se apresentou na sexta-feira e Rodrigo Otávio Andrade compareceu no sábado, acompanhado de seu advogado.
A investigação foi deflagrada após uma operação de busca e apreensão realizada em 7 de agosto. Na ocasião, foram apreendidas armas e drogas na casa de um conselheiro tutelar e seu filho, que foram presos em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas. Ambos foram soltos pela Justiça na quinta-feira (17).
Suspeita de plantio de drogas
A defesa das duas pessoas presas apresentou vídeos da operação que levantaram dúvidas sobre a legitimidade do flagrante. Segundo análise de advogado criminalista, as imagens mostram um dos policiais entrando no imóvel com um volume escondido na região da perna, sugerindo que a barra de maconha apreendida teria sido levada pelos próprios agentes e plantada dentro da casa.
O mandado de busca e apreensão determinava que a ação fosse filmada, o que permitiu que a defesa questionasse a procedência das drogas encontradas.
Defesa contesta vídeos e pede liberdade
O advogado dos policiais, Lúcio Adolfo, afirmou que o vídeo divulgado não é legítimo e questionou sua origem e possível edição. Ele argumentou que havia autorização judicial para a busca e apreensão, com mandado de prisão e mandado judicial expedido após análise do Ministério Público.
Adolfo pediu ao Judiciário a revogação da prisão dos três agentes ou a conversão em medida alternativa, como tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar. Após o pedido ser indeferido, apresentou Rodrigo Otávio Andrade à Corregedoria de Justiça.
O advogado afirmou possuir o vídeo completo da operação, em que os policiais teriam agido "de forma educada e cortês", mas não o divulgaria à imprensa por questões de sigilo processual.
Possíveis consequências legais
Caso condenados, os policiais podem responder por crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade, que estabelece pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa. Também podem ser investigados por denunciação caluniosa, falsidade ideológica e associação criminosa.
Além da esfera criminal, os agentes estão sujeitos a Processo Administrativo Disciplinar conduzido pela Corregedoria da Polícia Civil, que pode resultar em advertência, suspensão ou demissão do serviço público, independentemente do resultado da ação penal.
Bairros nesta matéria: Liberdade


