Mulher vai a júri popular por morte da mãe e da filha em Venda Nova
Julgamento em BH apura duplo homicídio ocorrido em março de 2023, no bairro Piratininga; acusada responde por qualificadoras, incluindo feminicídio

Uma mulher acusada de matar a própria mãe, de 67 anos, e a filha, de 10, vai a júri popular nesta quarta-feira (30), a partir das 8h30, no 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. O crime ocorreu em março de 2023, dentro do apartamento onde a família morava, no bairro Piratininga, em Venda Nova.
A acusada foi presa em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Ela responde por duplo homicídio com diversas qualificadoras: meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, contra mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e em contexto de violência doméstica e familiar. No crime contra a mãe, há ainda a qualificadora de motivo torpe. Já pela morte da criança, incidem também as qualificadoras de motivação para garantir a ocultação do crime anterior e contra menor de 14 anos.
O que dizem as investigações
Segundo a denúncia do Ministério Público, a acusada mantinha relação controladora e praticava constantes agressões psicológicas e violência patrimonial contra a mãe. As investigações apontam que ela agiu por vingança, pois a idosa teria parado de dar dinheiro a ela.
De acordo com o relato prestado à polícia, a mulher contou que estava no quarto conversando com a mãe quando passou o braço em volta do pescoço da idosa e a estrangulou. A vítima tentou pedir ajuda, mas a acusada só soltou quando teve certeza de que ela havia parado de respirar. A criança, que dormia em outro quarto, acordou e bateu na porta. A mãe teria dito para a filha não abrir e que estava resolvendo um problema com a avó.
Ainda conforme o depoimento, no dia seguinte a acusada tentou cortar os pulsos da menina, mas os ferimentos foram superficiais. Ela então enforcou a criança por duas vezes. Como a garota resistiu, a mulher amarrou a filha usando uma calça e apertou seu pescoço até que ela parasse de respirar.
Tentativa de suicídio e resgate
Após os crimes, a acusada tentou contra a própria vida. Ela vedou as frestas das portas do apartamento, colocou a cabeça dentro do forno do fogão e ligou o gás. O síndico do prédio percebeu o odor e estranhou o latido constante do cachorro do apartamento. O Corpo de Bombeiros foi acionado e encontrou a mulher desmaiada, mas com vida. Ela foi socorrida e encaminhada a um hospital.
A defesa informou que, em razão do segredo de justiça e de estratégias relacionadas à atuação no caso, não prestará esclarecimentos antes da sessão plenária, e que eventuais manifestações serão feitas oportunamente após o julgamento.
Bairros nesta matéria: Piratininga


