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Mulher é condenada a 56 anos e oito meses por matar mãe e filha em Venda Nova

Tribunal do Júri de BH condena mulher de 34 anos pelo duplo homicídio da mãe, de 67 anos, e da filha, de 10 anos, no bairro Piratininga

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Mulher é condenada a 56 anos e oito meses por matar mãe e filha em Venda Nova
Divulgação/Ministério Público de Minas Gerais

O Tribunal do Júri de Belo Horizonte condenou, nesta quarta-feira, 30 de setembro, uma mulher de 34 anos pelo duplo homicídio da própria mãe, uma idosa de 67 anos, e da filha, uma criança de 10 anos. A pena fixada foi de 56 anos e oito meses de prisão em regime inicial fechado. A atuação no júri ficou a cargo do promotor de Justiça Fabiano Mendes Cardoso, da 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, conforme informou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Os crimes

Os homicídios ocorreram entre os dias 13 e 14 de março de 2023, no bairro Piratininga, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia do MPMG, a ré residia com a mãe e a filha no mesmo imóvel. Por opção, não trabalhava e mantinha relação de dependência e usurpação financeira em relação à idosa.

Após esgotar os recursos financeiros da mãe e não conseguir mais dinheiro para arcar com as próprias despesas, a mulher decidiu matá-la por asfixia mecânica. Durante o ataque, a vítima suplicou para que a filha parasse, mas a ré só cessou a agressão quando percebeu que a mãe havia parado de respirar. O crime foi praticado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Morte da criança

Para assegurar a impunidade e ocultar o homicídio da mãe, a ré decidiu matar a própria filha, de 10 anos. Valendo-se de sua autoridade e do poder familiar, convenceu a criança a não acionar socorro e ministrou a ela medicação e álcool. Durante todo o tempo, submeteu a filha a intenso sofrimento psicológico e físico, dizendo que a avó havia morrido, que cometeria suicídio e que não haveria ninguém para cuidar da menina, que seria obrigada a morar em um abrigo.

A ré tentou cortar os pulsos da filha com uma faca e, como não obteve sucesso, passou a asfixiá-la comprimindo seu pescoço com o braço. A criança tentou reagir. A mãe ainda a convenceu a ter os braços amarrados para trás e voltou a comprimir o pescoço da menina até a morte.

Fraude e julgamento

Após as mortes, a mulher praticou fraude processual ao utilizar o telefone celular da mãe para enviar mensagens ao chefe da idosa, passando-se por ela para justificar a ausência ao trabalho e tentar induzir as autoridades ao erro.

Durante o julgamento, a ré confessou os crimes e negou tê-los praticado por dinheiro ou por ter tido empréstimos negados. Contou que já pensava em suicídio anteriormente por não se achar uma boa filha e mãe, por não trabalhar para ajudar nas despesas e por não dar suporte à mãe. Em depoimento, declarou que a ideia inicial seria esperar a mãe e a filha saírem do apartamento para fazer compras e, então, cometer suicídio. No entanto, ao pensar que as duas encontrariam seu corpo mais tarde, decidiu matá-las também.

Disse ainda que tentou suicídio logo após os crimes, se cortando com uma faca. No dia seguinte, teria acordado e tentado inalar gás, mas a ação teria sido interrompida com o arrombamento da porta do apartamento pela equipe de resgate.

Os jurados acolheram as qualificadoras apontadas pelo MPMG: crimes cometidos por meio cruel e com uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de feminicídio, aplicadas a ambos os homicídios.

Bairros nesta matéria: Piratininga

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