Motoristas de aplicativo cobram reajuste e pontos de apoio em audiência na Câmara de BH

Motoristas de aplicativo de carros e motos que atuam em Belo Horizonte cobraram reajuste no valor recebido pelas corridas e questionaram a forma como as plataformas calculam as taxas. O tema foi discutido em audiência pública realizada nesta quinta-feira (5/11) pela Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal, a pedido do vereador Professor Juliano Lopes (Pode).
Corrida mínima e jornada
A principal reivindicação da categoria é o reajuste das corridas, com definição de preço mínimo por quilômetro e por categoria de veículo. Os motoristas relatam que hoje recebem menos do que anos atrás, enquanto o preço da gasolina e os custos de manutenção dos veículos aumentaram, o que os obriga a trabalhar mais horas por dia.
Uma das reclamações é que a corrida mínima, de R$ 5,87, não pagaria sequer um litro de combustível. Um motorista comparou uma viagem de 10 quilômetros realizada há seis anos, que rendia R$ 49,91, com outra atual de 16 quilômetros, que pagou R$ 25,85. Segundo ele, para ganhar o que ganhava trabalhando 10 horas há seis anos, hoje precisa rodar 16 horas. Outra motorista afirmou que a necessidade de garantir o sustento faz com que muitos aceitem corridas pouco rentáveis e permaneçam até 15 horas nas ruas.
Plataformas alegam modelos distintos
Os representantes da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Uber e 99, disseram que há diferentes modelos de negócios adotados pelas plataformas e que os valores não são tabelados, mas definidos por cada empresa. Questionado sobre a falta de reajustes de empresas específicas, o diretor da associação, André Porto, informou que não poderia responder por elas. Não houve compromisso de reajuste por parte das empresas.
O vereador Braulio Lara (Novo) defendeu que as plataformas permitam que os motoristas influenciem no valor de cada corrida, respeitando a individualidade do profissional dentro da relação comercial.
Pontos de apoio e bloqueios de contas
Os trabalhadores também cobraram a criação de pontos de apoio em Belo Horizonte, para descanso e atendimento. O vereador Professor Juliano Lopes citou que cidades como o Rio de Janeiro já contam com estruturas do tipo e questionou por que a capital mineira não tem nenhuma. O diretor da Amobitec afirmou que, em outras cidades, esses pontos foram implementados em parceria com as prefeituras, que cederam espaços públicos para as empresas instalarem as estruturas.
A representante da Superintendência de Mobilidade (Sumob), Patrícia Rito, afirmou que a prefeitura já apresentou possibilidades às empresas, mas não há previsão para implantação das estruturas. Também foram relatados problemas com bloqueios de contas sem direito de defesa, além de preocupações com roubos e acidentes, especialmente entre motociclistas.
Encaminhamentos
Como desdobramento, o vereador Professor Juliano Lopes anunciou que pedirá uma nova audiência pública com os responsáveis pelas próprias plataformas, cobrará informações da Polícia Militar sobre ocorrências envolvendo motoristas e marcará reunião com a Sumob para discutir os pontos de apoio. Ele defendeu que o debate ocorra na capital mineira, já que tanto os usuários quanto a maioria dos motoristas são moradores de Belo Horizonte.


